Versão Best Seller

A Memória das Casas: Quando o Gueto Escreve o Impossível

Há livros que nascem de gabinetes seguros, gerados a trena e régua para agradar o gosto higienizado dos salões literários. E há livros que rasgam a carne.

"A Memória das Casas" pertence à segunda raça. É um diário impudoroso, torrencial e sem verniz, escrito à mão em cadernos que quase pegaram fogo, misturando a crueza de uma quebrada — onde habitam uma cama e um paiol — com a mais alta especulação ontológica da pós-modernidade.

A obra nasce de uma fratura real: o roubo de um manuscrito. Um caderno físico levado à força, cujas páginas correram de mão em mão na engrenagem subterrânea de uma cidade de província. Afinal, por que um caderno escrito à mão desperta tanta cobiça? Por que a história vazou, correu a boca miúda e virou sussurro nas esquinas? Porque o livro não poupa ninguém.

Pensemos na mecânica do poder e da moralidade barata: se um fiscal municipal — casado com uma mulher distinta, frequentador de banco de igreja e respeitado pela alta roda — perde a linha com um comerciante da vila e se desentende com a vizinhança, logo o povo se revolta e ele precisa redobrar os embargos para salvar a pele. Mas, e se o fiscal for outro? E se o fiscal for underground, assumidamente do guetto, enraizado no lado subversivo e边缘 da sociedade, lidando com afetos proibidos, com o peso de um passado nas margens e com romances que a moralidade alheia abomina com pedras na mão? O que acontece com a caneta desse fiscal quando ele decide embargar a hipocrisia do mundo?

Este livro responde a isso. Misturando Machado de Assis, Lima Barreto, Monteiro Lobato e o desassossego de Fernando Pessoa ao asfalto e à poeira de Matão, "A Memória das Casas" propõe uma revolução freudiana tardia: o ser humano é bissexual por natureza, transigente em seus afetos, vivendo em trânsito perpétuo entre a norma e o abismo.

É uma obra-prima dolorosa, feita de chagas vivas e feridas abertas que a maioria prefere ignorar. Se a história já começou a rodar antes mesmo de ser publicada, é porque a verdade, quando nua e crua, tem dentes e morde.

O lançamento da pedra fundamental está dado. Preparem-se.



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Att.
Edson Souza
Fiscal Geral, na Prefeitura Municipal de Matão / SP
Bacharel em Contabilidade
Esp. Eng. Ambiental e San. Básico
Estudante de Controladoria
CEL.(Vivo) 16 - 98729-6492
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